Associação Guarani Nhe´ê Porã
Com o contato cada vez maior com o mundo moderno e a dificuldade de mantermos nossas atividades tradicionais como a caça e o plantio, percebemos que teríamos que nos organizar para tentar melhorias, intermediando o contato com instituições governamentais e ONGs para melhorar a realidade da aldeia.
Com o consentimento do cacique da época Ventura Papá, começamos a nos organizar com o objetivo de nos tornarmos uma associação que foi registrada como Associação Guarani Nhe'e Porã.
Os trabalhos para organizar uma associação, já que sabíamos que só organizados nossas reivindicações seriam levadas a diante, começaram através das lideranças Marcos Tupã, que já tinha tido experiência de formação de associação na aldeia de Ubatuba, Olívio Jekupé, um dos nossos escritores e Geraldo de Oliveira Paula.
A primeira coisa que precisávamos era organizar as visitas que aconteciam na aldeia. Os visitantes entravam e saíam da aldeia sem nenhum tipo de acompanhamento. Organizando as visitas nas aldeias, a comunidade também não precisaria ir vender o artesanato na cidade.
Muitas famílias voltavam com seus filhos doentes e passavam muito tempo na rua. Hoje recebemos escolas, universidades e grupos que estejam iinteressados em conhecer nossa cultura e a realidade da aldeia.
Também para mostrar que a nossa cultura esta viva, ao contrario do que alguns falam, já que estamos próximos da cidade, organizamos o grupo de canto e dança Kyringué Vy'aa que se apresenta tanto para os visitantes como em apresentações fora da aldeia.
Nessa época a aldeia não recebia nenhum tipo de investimento público ou privado, a população só recebia auxilio assistencialista, como doações esporádicas de alimento ou roupas velhas. Começamos a organizar essas doações e entrar em contato com grupos que poderiam manter sua freqüência.
Com a compensação recebida pela empresa Furnas que passou uma linha de transmissão na região das duas aldeias de Parelheiros, a associação construí a sua sede, um posto de saúde, um açude, um campo de futebol. A Funasa em 2001 construi também um poço artesiano, o que melhorou o problema da água que tínhamos em época que não havia chuvas.
Durante o começo dos trabalhos da Nhe' ê Porã a comunidade procurou estabelecer parcerias para o trabalho com a associação, algumas pessoas e instituições tiveram um papel importante neste período como a senhora Ursula da Associação SOS Bartira, trazendo alimentos para serem distribuidos na aldeia, PIA Sociedade - Editora Paullus com 27 cestas, na época, básicas para as famílias da aldeia. Também o Frei Bernardes (Fradão), ajudava nos alimentos. Néia ajudando em trabalhos comunitários, Sérgio Murilo que fazia contatos com as escolas para nos visitar e apresentações do Kyringué Vy'aa, a Pastoral da Criança acompanhando o crescimento das nossas crianças e melhorando a nutrição da aldeia, o Instituto da Criança - Hospital das Clínicas, com equipe de profissionais na área de saúde atendendo no posto da aldeia em parceria com a Funasa.
Também o Projeto Rondon que contratam os agentes de saúde da aldeia. A partir de 2000 contamos com o trabalho de Sidney Soares que trabalhou como funicionário da associação escrevendo e produzindo vários projetos, como o de turismo e o que originou o CECI. Construiu também a primeira versão do nosso site.
Durante a gestão municipal da prefeita Marta Suplicy ( 2001 a 2004), começamos o diálogo para implantar programas e ações em parceria com o poder público. Esse diálogo entre os órgãos públicos municipais se mantém na atual gestão.
O diálogo começou durante as discussões para a criação da Área de Proteção Ambiental Capivari-Monos, que tanto a aldeia Krukutu quanto a aldeia da Barragem fazem parte. Através deste contato com a prefeitura, em 2004 era construído na aldeia o Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI) . Também neste ano, a Secretária Estadual da Educação, construía a nossa escola estadual da 1ª a 4ª séries.
A Associação Guarani Nhe'e Porã, hoje é responsável em viabilizar projetos em diversas áreas, saúde, turismo (as visitas a aldeia), educação, artesanato, reflorestamento e plantio, etc, todos eles visando a sustentabilidade da aldeia.
Cada vez mais a associação é protagonista nos projetos executados na aldeia, determinando como serão estruturados e desenvolvidos. Esses projetos sempre tem como objetivo manter o nosso nhandereko, modo de vida guarani.
A diretoria da associação, que funciona auxiliando o cacique Manoel Werá nos trabalhos para a aldeia é formada pelas lideranças:
Olívio Jekupé - Presidente
Nelson Karai Mirim - Vice Presidente
Luiz Carlos Karai Rodrigues - Secretário
Marcelino da Silva - Segundo Secretário
José Karai Pires de Lima - Tesoureiro
Fabio Popygua - Segundo Tesoureiro |